terça-feira, 10 de maio de 2011

7 Dicas

Depois de comprovar por mais um ano (melhor que os anteriores) a eficácia dos métodos de treinamento de Joe Friel, posto aqui os preceitos básicos do sistema que ele usa. Já aviso que é um cara tradicional, que usa Periodização Tradicional , que presa por uma base sólida. Após 3 anos seguindo este método, posso dizer que ele realmente funciona e que ele garante uma coisa acredito ser importante: o acumulo da evolução. Você nunca volta a estaca zero e sempre atinge um resultado melhor ao fim.


7 Premissas básicas do treinamento por Joe Friel


Existem 7 premissas básicas que me mantém na direção certa com relação aos atletas que treino. Estas, certamente, não são pensamentos iluminados, mas são capazes de guia-lo em uma direção jamais imaginada.

1. O treinamento deve ser fisicamente estressante. O motivo principal do treinamento é desafiar, apropriadamente, o corpo fisicamente. Este desafio faz o corpo se adaptar e se tornar mais capaz de lidar com um dado nível de stress. Para ser eficiente, o desafio do treinamento deve ser específico com relação ao estresse que será enfrentado no evento alvo.

2. A adaptação a um stress físico específico é chamada "fitness". Isso acaba com a discussão de quem tem o melhor preparo físico. Cada atleta é igualmente apto às demandas físicas específicas de seu esporte. O halterofilista é o o mais forte, o velocista o mais rápido e nenhum deles conseguirá ser especialista na outra modalidade.

3. Outro produto do stress é a fadiga. Se você desafia seu corpo, muitas mudanças fisiológicas ocorrerão. Você gastou seu estoque de carboidratos, destruiu células musculares, etc. Todas estas mudanças que representam alterações negativas no corpo são chamadas de fadiga.

4. O fitness e a fadiga tem comportamento similar. Você pode não ter pensado nisto, mas existe uma ligação forte entre fitness e fadiga. Se você ficar fadigado de um treino, então você estressou seu corpo adequadamente para criar fitness. Se você não ficar fadigado, também não produzirá fitness. Assim, quando a fadiga aumenta, o fitness também aumenta. E o oposto também ocorre. 

5. Para competir bem você deve reduzir a fadiga. É isso o que o taper (ou colação) faz antes de uma corrida. Você não quer ir para sua grande prova cansado. E não há benefício nenhum nisto. Correr cansado trará um resultado cansado, fraco, como o de um treino.

6. Reduzir a fadiga é "entrar em forma". O termo forma vem das corridas de cavalo. Antes das apostas, deve-se checar a forma dos animais, sabendo quais corridas ele fez e como foi em cada uma delas. Quando ele está correndo bem várias provas, diz-se que ele está em forma.

7. Entrar em forma demanda perder fitness. Era para esse ponto direcionavam todas as outras premissas. Não acredita? Leia o final da premissa 4 de uma outra maneira: Você deve abrir mão de um pouco de fitness para reduzir a fadiga e competir em um nível mais alto.O truque é controlar o quanto de  fitness se perde no processo de tapering. Eu sempre coloco mais ênfase neste aspecto do que em outros da preparação para uma prova. Mas o que faço está longe da perfeição. Atingir o pico é mais arte do que ciência. Os protocolos que uso não são 100%, digo isto em meus livros. Somos humanos e não máquinas, e temos muitas variáveis. Mas de maneira geral isso funciona, isto leva o atleta há um pico maior do que o atingido durante o treinamento constante.

Abrax.

PS: Se funciona para mim, gordinho, com síndrome metabólica e asma, com certeza deve funcionar para você. Se não em definitivo, como um bom termômetro de onde você pode melhorar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A filosofia e a juventude

As vezes algumas coisas passam a frente dos olhos da gente sem que reparemos nelas. A nossa vida nos força a focar em outras coisas e esquecer algumas mais fundamentais e alguns princípios. E como o título diz, filosofia e juventude parecem não se combinar...será?

Tive uma oportunidade muito interessante neste sábado passado: assistir um exame de faixa no centro sul americano de Aikido. Até nada de anormal, pois se trata de um esporte bem diferente do que praticamos. E a maior diferênça seja a idade, 70 anos no caso do Aikido. Tanta história, tantos princípios... algo que não conseguimos achar no triathlon.

No mesmo dia, continuei com a minha colaboração com a revista Trisport, revisando alguns textos. Nesta colaboração tenho a honra de revisar textos escritos por nada mais nada menos que Fernanda Keller. E o último texto é fenomenal.... (leia a revista!)

Não conseguia desvincular uma coisa da outra, pois lá, no dojo, observando os mestres de 4o, 5o, 6o dam, só passava um cenário parecido na minha cabeça: Kona, Dave Scott, Mark Allen, Fernanda Keller, Paula Newby-Fraser.... ou em tempos modernos Grand Final ITU, Gomez, Brownlee, Frodeno, Withfield....Os mestres de 6o dam e os de 2o, 3o dam.

Que chance de ouro é poder estar com estes mestres. Muito comum no Aikido...nem tanto no triathlon. Mas o olhar dos triathletas é diferente: são ídolos apenas. No Aikido eles são o espelho. Alguém para observar e aprender.... No triathlon também é assim!!!! Sim, nós temos uma história e temos uma filosofia. A simplicidade, a observação, e outros fatores básicos são os mesmos nos dois esportes.

As vezes me sinto um comunista extremo, mas não consigo ver outro fator que tire a simplicidade e conseqüentemente um pouco da essência do triathlon do que o capitalismo. Já falei sobre isso e não vou ser repetitivo, mas continuando a comparação, um mestre de 6o dam é o mesmo, com a mesma roupa e com a mesma sabedoria, no Aikido e no triathlon. Tirem o Gomez da Specialized dele e dêem uma bike comum... ele vai ganhar do mesmo jeito! Com a Keller, com o Allen, com o Brownlee é a mesma coisa. Temos muito que observar e aprender com estes atletas e não somente idolatrar e usar os materiais que eles usam. O que vai te tornar mais próximo a eles são as atitudes e as técnicas, não os ténis e bicicletas que eles usam.

A filosofia é sobre ser, não sobre ter. E para isso não precisa ser velho para saber. Afinal, podemos aprender pela experiência, com o tempo, ou com a inteligência, com os exemplos dos outros.

Abrax.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

Essa temporada promete....

Acho que há algum tempo uma madrugada e manhã não era tão recheada de competições marcantes no triathlon como a passada. Tivemos de tudo: ITU WCS Sydney, 70.3 Texas, IM África do Sul, LD Caiobá...

Bem, para não ser repetitivo com a cobertura da mídia, vou me ater aos dois eventos mais marcantes: WCS e IM.

O WCS Sydney foi demais. Quem nunca assistiu uma prova ITU na íntegra não sabe o que está perdendo... dá de 1000 em partida de futebol e corrida de fórmula 1. É muito dinâmica, disputada e muito pouco previsível. E foi assim em Sydney, com indefinições até o penúltimo km da corrida. No feminino, Paula Findlay mostrou sua forte chegada e junto com Barbara Riveros fez um sprint lindo, faturando a prova. No masculino...bem, lembrei de uma frase do Rafa Farnezi: "Meu pai fala que viu Pelé no futebol, mas a gente está vendo o Gomez, Brownlee, etc...". O que o Gomez fez foi fora de série. Na metade do pedal ele caiu e perdeu contato com o pelotão lider. Buscou sozinho e quase na T2 alcançou o fim do grande pelotão. Saiu para correr e com um 30:09 min passou mais de 20 atletas, incluindo irmãos Brownlee. O Alistair pifou com o ritmo alucinante e o Jonathan chegou em segundo, sem poder reagir contra Gomez.



Bem e o IM África do Sul que simplesmente teve Crissie Wellington quebrando o recorde do percurso em 42 minutos!!! Cravando 8:33 horas! A mulher é um monstro... ela foi 8a no geral! E com a melhor maratona do dia!!! 2:52.... meu Deus!

Abrax!