domingo, 3 de fevereiro de 2013

Romário: Copa para inglês ver - IEL


Publicado na Folha de São Pualo do dia 2/2/13


Romário: Copa para inglês ver

NÃO
O sucesso de uma Copa do Mundo de futebol vai muito além do que se vê. Arenas lotadas e jogos televisionados para o mundo todo representam apenas 10% desse grande espetáculo, que une povos e faz o planeta vibrar em torno de uma paixão.
Para um país, sediar uma Copa é uma oportunidade rara --a última no Brasil ocorreu há mais de 60 anos-- de estimular a economia, alavancar o turismo, melhorar a formação das pessoas, expandir e aperfeiçoar a infraestrutura, elevando-a a um novo patamar de acessibilidade.
Analisando esse conjunto de ações, é fácil chegar a uma conclusão: não, o Brasil não aproveitará todo o potencial da Copa.
Seria ingênuo imaginar que uma Copa resolveria todos os problemas de uma nação, mas também não é confortável constatar que o evento poderá aprofundar alguns deles. Assistimos na televisão a um comercial de cerveja que transforma esse sentimento de frustração do brasileiro em pessimismo. Mas não é pessimismo gratuito, é puro realismo de quem vive o dia a dia das grandes cidades. Sim, imaginem, durante a Copa, todos os nossos problemas estruturais agravados pelo fluxo de milhões de pessoas!
O pessimismo do brasileiro é calcado em fatos: a incapacidade dos gestores de planejar atrasou inúmeras obras e, por tabela, encareceu em alguns bilhões o custo do Mundial --R$ 3,5 bilhões, para ser mais preciso--, segundo o último levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU). Para se ter uma ideia do que se poderia fazer com esses bilhões excedentes, vamos fazer uma projeção.
Em 2010, o então presidente Lula anunciou a construção de 141 novas escolas federais de educação profissional ao custo total de R$ 1,1 bilhão. Os R$ 3,5 bilhões acrescidos ao valor total da Copa dariam, portanto, para construir quase 500 novas escolas técnicas no Brasil.
O excesso de gastos, no entanto, não é o pior dos cenários. O tão falado legado social para a população parece ter ficado só no papel. Quase todas as obras de transporte estão atrasadas, a inauguração de algumas, inclusive, já foi remarcada para somente depois do Mundial e outras foram canceladas.
Salvador foi a primeira cidade-sede a cancelar uma obra de mobilidade. A construção de um corredor de ônibus Bus Rapid Transport (BRT) foi riscada da lista de obras para 2014. Em seguida, Brasília cancelou a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
Há ainda os problemas de pouca visibilidade, mas grande impacto social, como as remoções involuntárias. O tema foi destaque no jornal "The New York Times", em março passado. O diário informou que 170 mil pessoas devem ser despejadas até a Copa do Mundo e a Olimpíada, para dar lugar a intervenções urbanas para os eventos. O problema é que as indenizações estão bem abaixo do valor de mercado e, quando são oferecidas moradias, as casas ficam a até 60 km de distância do local de origem.
Vale lembrar, ainda, a naturalidade com que os projetos das arenas desrespeitam a lei que exige 4% dos assentos para deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida. Nos casos em que os projetos preveem reserva de vagas, elas se limitam à margem de 1%, mínimo exigido pela Fifa. Como se as decisões da Fifa fossem mais importantes que a legislação do país.
Depois de ter rodado o mundo inteiro e participado, in loco, de tantos mundiais, posso afirmar, com convicção, que um país só é bom para os turistas se, antes, for bom para o seu próprio povo.
Hoje, não consigo presumir nenhum problema que inviabilize o evento, mas tenho certeza de que os brasileiros ficarão decepcionados ao ver perdida mais uma ótima oportunidade de tornar este país um lugar melhor para se viver.
ROMÁRIO FARIA, 47, ex-jogador da seleção, tetra campeão mundial, é deputado federal (PSB-RJ) e membro da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Fenômeno e o Falcão - Juca Kfouri - IEL

Para começar, um post do Blog do Juca Kfouri de 31/01/13.

O Fenômeno e o Falcão.



Que Ronaldo, embora aparentemente disposto a virar pauteiro, não entenda qual seja a função da imprensa é compreensível.

Ele prefere que não se publique que a Copa do Mundo, prometida como a Copa do capital privado, se transformou na Copa do dinheiro público, inclusive, e principalmente, na construção dos 12 estádios que a sediarão. Dos 12!

O Fenômeno quer também que não se noticie que boa parte do legado previsto em infra-estrutura e mobilidade urbana já foi cancelada.

Certamente deseja, ainda, que os relatórios do TCU permaneçam em sigilo.

Difícil mesmo é explicar por que o deputado Rui Falcão, presidente do PT, bate na mesma tecla, ao dizer que as denúncias da imprensa contra a classe política nos aproxima, como país, do nazismo.

Ele não pensava assim quando os jornais denunciavam outros partidos no poder e Lula dizia que havia 300 picaretas no Congresso Nacional.

Porque Falcão é também jornalista, e até dirigiu, entre 1977, em plena ditadura, e 1988, a redação da revista “Exame”, baluarte do capitalismo.

Que há muito a se discutir sobre o papel da imprensa no Brasil democratizado está mais que óbvio.

Mas, devagar com andor.

Porque se pimenta nos olhos dos outros é refresco, imprensa é oposição.

O resto é armazém de secos e molhados, como ensinou Millôr Fernandes.

Espaço para imprensa esportiva livre.

Olá,

A partir de hoje, além de meus textos, colocarei aqui também textos de outros autores, devidamente referenciados e lincados. Serão textos sobre esporte ou sobre assuntos que remetam ou afetem os esportes em geral. Mas o mais importante: serão textos livres, onde os autores denunciam e falam o que pensam sem se preocupar com censura dos meios de comunicação tradicionais.

Colocarei a sigla IEL, de Imprensa Esportiva Livre no final dos posts que não forem escritos de punho próprio.

Abrax.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A vingança de Lance e o precedente.

Tudo como o previsto: o carinha dos olhos juntos confessou o que já era comprovado desde outubro passado.

E ainda tinha muita gente que achava que ele era inocente, que era perseguição da USADA e da WADA.

Confessou, fez cara de abatido. Mas isso era mesmo para se sentir melhor? Para estar em paz consigo mesmo? Me parece que não.

A atitude de Lance está se mostrando um caso de pura vingança. Tudo indica que agora ele irá usar todas as suas forças (restantes e sem EPO) para acabar com o ciclismo. Como? Tentando provar que a UCI sabia do dopping e fazia vistas grossas. Simplesmente, isso pode tirar o ciclismo das Olimpíadas  Um sinal bem claro já foi dado por um alto diretor do COI.

E muita gente achando que se tratava de amor, suor, superação... tudo isso tem limite sim. O que ele fazia, com a falta de consistência que fazia, depois da doença que teve, só podia ser artificial. Mas ele vendeu bem, por longos 14 anos ele vendeu muito bem.

E se preparem para mais surpresas. O caso Lance abriu um precedente sério para julgar a retroatividade do dopping. Muito ídolo vai para lama em breve, pois existem amostras de urina congeladas, mundo a fora, desde o meio da década de 80. Carl Lewis é um dos que está na lista. Os investigados deverão ser os atletas que ganharam muitas provas/jogos da década de 80, 90 e 00. Para os poucos multicampeões dos anos 00 e 10 este tipo de investigação deverá ser pouco efetiva, pois os procedimentos já são bem diferentes e muito eficazes em combater o dopping.

O uso do monitoramento por passaporte biológico torna quase impossível o dopping em Phelps, Messi, Bolt e Brownlee, pois estes são submetidos a exames constantes, aleatórios de  múltipla abordagem (sangue, urina e biópsia) desde o início da carreira profissional. E mesmo sem resultados positivos estes poderiam ser investigados, caso sua performance destoasse do padrão. Como são campeões desde sempre e se mantem no topo, muito provavelmente estão limpos. A segurança na minha afirmação baseia-se na teoria do controle: se alguém burlar esta teoria, tudo vai pelo cano.

Certamente teremos cenas dos próximos capítulos...

Abrax.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Brasil, o país do....... (desabafo)

Segundo slogan da época do inocente Lula era país do futuro. Mas antigamente foi país do futebol... ainda é na verdade. Mas bem que podia ser país da seriedade. Ia ser uma tremenda hipocrisia, mas ia ser mais bonito.

Em tempos onde abrimos um jornal e as manchetes são: Beijo gay vetado na TV; Cena com maconha liberada na novela;  É, acho que país da hipocrisia seria melhor mesmo, afinal o que é certo é errado e o que é errado é certo. Aqui pelo menos é assim.

Como alguns já sabem, há um ano estou morando no Rio. Sempre vivi em São Paulo e esta saída, apesar da saudades da família, permite ver o nosso país de uma outra maneira. Mais crítica obviamente. Não existe lugar melhor ou pior aqui, o que existe é o Brasil. A rigidez do sul, a tranquilidade do nordeste, a pompa do paulista ou a displicência do carioca: é tudo fachada. O país não é sério em lugar algum.

Fiz esta ressalva pois vou ter que criticar mal, muito mal o Rio. Mas fiquem sabendo que seria igual em qualquer lugar deste medíocre e larápio país em que vivemos.

Ao contrário de toda a lógica do espírito olímpico e a favor dos interesses comerciais o Brasil vai receber uma copa de futebol e uma Olimpíada no próximos anos. Em resumo, não merecia nenhuma delas, pois o único legado que será deixado estará no bolso de algumas pessoas sem escrúpulos.

Pois bem, para a Copa, estádios estão sendo erguidos e reformados, entre eles o saudoso Maracanã... saudoso? Ilustre? Tivemos uma copa na qual perdemos a final neste estádio e a mídia acha que ele é um Olimpo???? A reforma está custando o mesmo que fazer 3 ou 4 estádios novos e tudo bem? E o melhor: vão destruir o Complexo de piscinas Julio Dellamare, que já recebeu inúmeras copas do mundo, com muitos campeonatos para brasileiros, e o Complexo de Atletismo Célio de Barros, que já recebeu inúmeros Grand Prix também com vitórias do Brasil.... para deixar de pé um estádio que celebra uma grande derrota?????

Bem, já seria trágico perder estes dois centros de referência no esporte se não fosse acontecer uma OLIMPIADA 2 anos depois, na mesma cidade. É alguma piada? Não, é o Brasil.

Na boa? Quem me enviar aquela cartinha de um suposto estrangeiro que enaltasse o brasileiro que vá pra p... que p...!!!

Enquanto ficarmos sentados lendo isso e não formos pra rua, de verdade, mostrar pra corja de políticos quem é que manda no país, tudo continuará do mesmo jeito. Mas não adianta eu ou mais 1 irmos. É preciso união. Você que não concorda, procure saber como se deram as grande mudanças populares no resto do mundo antes de defender o seu ponto de vista, que é igual ao dos políticos que você elege.

Abrax.


PS: Foi um desabafo... em breve volto com algum cometário sobre a "declaração" de Lance.... Aliás, tenho quase certeza que ele é brasileiro.. e não desiste nunca!