quinta-feira, 11 de abril de 2013

Realização triatlética.

Comecei no triathlon há 12 anos. Informalmente, até ficar sabendo de uma prova curta (eu achava que triathlon era só na metragem Ironman) feita na cidade de origem da minha família, Porto Ferreira. Lá fui eu com minha Caloi 10 para começar algo que entraria no meu sangue.

Foram shorts, olímpicos (odeio essa metragem!), meio iron e um iron. Tempos melhores a cada temporada, qualidade de vida, amigos... Achava que estava no meu máximo. Realmente, fisicamente estava. Sou um cara com alguns probleminhas de saúde que limitam um pouco minha performance. Mas a mente queria mais.... A minha meta de perfeição em tudo queria mais. Não bastava ter a execução perfeita dos movimentos, eu sou mais lento. Não bastava uma transição tão rápida quanto os prós, eu sou mais lento. Mas isso me bastou? Não.

Em outubro de 2010, atravessando uma ponte sobre o rio Danúbio, em Budapeste, na companhia de Rafael Farnezi e Guilherme Lima, ouvi o Beto Menescal, da CBTri, comentar como estava difícil a composição de um quadro de oficiais técnicos (algo parecido com árbitro) de triathlon no Brasil. Olimpíada a vista e nem tínhamos gente para fazer os eventos teste...

Ao voltar para o Brasil liguei para a SPTri e comecei a ajudar do jeito que podia. Tendo idéias, atendendo solicitações, a coisa foi andando. Sempre conversando com a CBTri para deixar claro que eu queria ajudar, de qualquer jeito, em qualquer situação eu queria devolver a alegria que esse esporte me proporciona. A coisa começou a andar sozinha... Vários paulistas de duathlon, provas promocionais, brasileiro de duathlon e triathlon. Até chegar a um Panamericano. E nesta prova estar trabalhando lado a lado com o grande Hilton Lopes, organizador da primeira prova que participei e que está fazendo um belo trabalho com nossos paratletas, foi algo muito especial.

A convocação veio da PATCO, braço continental da ITU. Eu estava me dedicando o máximo possível e fui lembrado. Tinha que dar tudo. Demos tudo. Eu e todos que estavam em João Pessoa neste fim de semana. O sucesso foi o de uma orquestra. Acredito que os problemas percebidos não representam 10% do que vimos. E não forma percebidos por que os solucionamos. E como prêmio, João Pessoa ganhou uma etapa de World Cup em 2014. Parabéns para a FEPTri e CBTri, e a todos que lá estavam.

Eu me sinto realizado. Pois ajudei em um evento de alto nível, que deu condições perfeitas e justas de competição a todos que lá estavam. Tudo deu muito certo, tão certo que os atletas não nos viam, não sabiam onde estávamos. Essa é a ideia, as estrelas são eles.

É a minha forma de estar neste meio de estrelas. Ajuda-los, e ver de muito perto, estes sobre-humanos, fazendo coisas fora do normal. Talvez um dia eu realize um sonho: ir a uma Olimpíadas.  Pode parecer bobagem, pois é claro que gostaria de representar o Brasil como atleta, mas tenho o sonho de ir sem uma bandeira, como um cidadão do mundo, em um momento em que as fronteiras e as brigas somem. Um momento utópico que se torna realidade por algumas horas a cada 4 anos.

Agreguei mais um circulo de amizades e de realização. Podem ter certeza que sempre darei tudo de mim para que essa minha nova empreitada faça o esporte melhor a cada dia. Digo isso sem esperar nada em troca. Quero que este esporte maravilhoso cresça, e que as pessoas aprendam com ele o que eu aprendi. Lições que me ajudam muito na vida, lições de amizade, garra e saúde.

E digo também que não parei de praticar!!! Estou saindo de um período turbulento de estudos e trabalho árduo, para um período de realização profissional, com um pouco mais de flexibilidade de horários, o que me permitirá voltar a forma.

No segundo semestre, me aguardem!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Drogas no esporte e drogas na vida

Esta semana mais uma pessoa ilustre foi levada pelas drogas. Apesar de sempre falarmos delas no esporte, elas fazem muito mais estrago na vida normal do dentro das pistas e campos.

Parem e reflitam. Falem para quem tem dúvida, briguem com quem concorda. Mesmo que usa algo natural, pois no mínimo esta contribuindo para o aumento da violência e manutenção do sistema podre que nos governa.

Segue um trecho da ex-mulher do Chorão:

"Isso é não é verdade. Eu lutei por ele até o final. Acabei perdendo a guerra para essa droga, que está acabando com todo mundo. Espero que isso sirva de lição para as pessoas"

Marcou minha geração e a mim. Com letras revoltadas, poéticas, de amor, de farra, de tudo que a juventude gosta. E claro, de protesto e de muita consciência Quem acha que ele era só um roqueiro skatista não conhece tudo que ele compôs.

"Tem que saber chegar... tem que esperar tua vez. Não deixe o mar te engolir".

Abrax.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Seriedade

"s.f. Qualidade do que é sério; gravidade de maneiras; inteireza de caráter"

Esta é a definição do dicionário Aurélio.

Alguém leu, nesta pequena sentença, cara feia? Terno e gravata? Fala rebuscada? "Cuidado com a imagem"?

Seriedade é um fundamento para a vida em sociedade. Seriedade é praticada a todo instante, não somente quando "se fala sério". Seriedade é o que (deve) reger todas as atitudes de uma pessoa.

Isso por que a seriedade não mora na aparência, ela mora na atitude. 

Confio muito mais na seriedade de um jovem de jeans rasgado e camiseta do que na seriedade de um velho de terno e gravata... sabem por que? Um sorriso displicente, muitas vezes, é mais sério do que uma cara feia. A diferença entre estas duas feições? A verdade, que só existe em um sorriso.

Seriedade em tudo na vida... não só no trabalho. No lazer também. No relacionamento. Em tudo. 

O Brasil não é sério.

Abrax.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Que fazer? - IEL

Direto do Blog do Juca 24/02/2013.

No “Estado de S.Paulo” de hoje:

UGO GIORGETTI

Tristeza. É o sentimento que se acumula à medida em que chegam as informações sobre o episódio da Bolívia. Tristeza por uma sociedade que enlouquece. Há muito tempo se pressentia isso, não é de hoje que, poetas sobretudo, vem avisando sobre a insanidade generalizada. “Vi as melhores mentes da minha geração, etc, etc.”

As melhores mentes e as piores agora se igualam na mesma loucura. Que eu saiba é a primeira vez que se mata num estádio para comemorar. É a primeira vez, que eu saiba, que se mata para celebrar um gol, que se mata por alegria, não por ódio. Alguém agarrou um objeto que já faz parte de sua vida normal, como um pente ou uma carteira, e comemorou. Esse objeto da morte era como sua corneta, ou seu tambor.

A morte já faz parte da coleção de pertences habituais, viaja conosco, vai a passeios, está sempre ali. E entra em ação. Sabemos que fere, que pode matar, mas isso é apenas uma advertência, escrita para não ser lida. Vira só um objeto. Para a coisa ficar mais absurda foi usado para matar um artefato concebido para salvar. Um objeto inventado para resgatar alguém perdido no mar que tem como sua última chance lançar no ar a luz salvadora.

Num filme, que está por aí, As Aventuras de Pi, há uma cena bastante elucidativa, de um menino, da idade do mesmo menino que foi morto no estádio, em pé, no seu minúsculo barco no meio do oceano, usando o sinalizador de forma desesperada na esperança de ser notado por um navio à distância. Ele lança o sinalizador, a luz sobe, sobe, e não se sabe onde vai dar. Avança sem rota definida pelo céu escuro e desaparece.

O sinalizador que atingiu o menino boliviano também saiu sem rota definida pelo estádio, e matou. O que foi pensado para salvar matou. Assim são as conquistas da técnica quando jogadas no meio da nossa loucura, que não sabe identificar nem entender corretamente o que tem nas mãos. Tudo vira arma.

E de absurdo em absurdo chego à seguinte questão: o que deve acontecer para que uma partida seja interrompida? Qual o limite de barbárie, qual a fronteira de humanidade, além da qual um jogo tem que parar? Certamente a morte absurda de um menino não é. Porque o jogo seguiu em frente. Os torcedores estavam perplexos e enfurecidos, mas nãos os dirigentes, não quem comanda os jogos.

São episódios de uma loucura que nos atinge a todos aqui neste país. No resto do mundo também, talvez. Mas o resto do mundo não me interessa, vivo aqui. E vejo com tristeza enorme certas mudanças. Sempre tivemos medo de jogar a Libertadores, de sermos recebidos a pedradas, de sermos agredidos por legiões de fanáticos em campos hostis e perigosos. Agora os perigosos somos nós. Agora nos temem como os novos bárbaros e nos temem até quando os visitamos.

Falava-se da Idade Média, sem razão, que era a idade das trevas. Não era. A idade das trevas está chegando agora.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

1 semana 2 mortes relacionadas a esportes.

Pistorius e marginal "corinthiano", trataram de fazer o esporte ser um fato incomum entre duas tragédias.

O esporte não é nada disso.

O esporte é vida, deve sempre ser lembrado por isso.

As duas perdas não são comparáveis a nada que se possa alcançar no esporte, somente ao seu objetivo principal: a vida. E duas se foram tragicamente.

O alerta fica por conta da falta de acompanhamento psicológico dos atletas e da banalização da segurança em geral. Os atletas saem de situações de profunda depressão e problemas sociais para se tornarem astros, e não recebem o devido acompanhamento, pois que os cerca só quer dinheiro e não o bem da pessoa por trás do astro. Nada justifica dormir com uma arma a mão, seja ela para matar baratas... nada. E a segurança pífia dos estádios e locais de competição. Em competições internacionais não se pode supor que os visitantes sejam tão pacíficos quanto os donos da casa (sim, a Bolívia é muito mais pacifica e segura que o Brasil. Lá existe respeito, e se anda pelas ruas tranquilamente). Permitiram que um marginal brasileiro adentrasse o estádio é cometesse uma estupides. Para que fogos de artificio e sinalizadores em estádios e em casas noturnas? É para chamar mais a tenção? É carência?

Estas pessoas que se foram não voltarão... Isso deveria ser motivo para que nada disso se repetisse. Mas a lógica da humanidade prega que "um nunca cometerá o mesmo erro do próximo sabendo o que foi feito". Claro, corretíssimo... por isso que as guerras não são passíveis de contagem.

Paro por aqui. Pois o ódio que sinto da humanidade anda bem aflorado esta semana. Somos um câncer que nada de bom trás a este planeta e o pior: Nem os princípios básicos de auto-preservação e proteção do semelhante praticamos mais. Não somos mais uma espécie, somos uma doença.