quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Educação... Só isso.

Pela segunda vez em 1 mês quase fui espremido por um ônibus na USP. Desta vez fui conversar com o motorista...


Na primeira vez, que foi do mesmo jeito, eu fiquei muito nervoso, pois estava clipado e já havia ultrapassado o mesmo ônibus 3 vezes..achava que ele estava ciente que eu estava sempre perto dele...

A situação foi a mesma: Eles te ultrapassam na entrada da rotatória e viram o ônibus normalmente. Só que como o veículo é grande, o meio do ônibus chega quase na guia durante a conversão... Na boa, depois de ficar puto, até me senti um malabarista em ocupar aquele espaço sem bater na guia e no ônibus.

Ahh, o diálogo:


- Você viu que vc quase bateu em mim?
- "Eu tô na minha faixa".
- Eu sei, mas eu também, então o "sr" deveria esperar eu terminar a curva para me ultrapassar.
- "Encosta... eu tô na minha faixa"
- Por 5 segundos vc pode atropelar uma pessoa menos habilidosa com a bicicleta.
- "Problema seu, eu tô na minha faixa"


Senti raiva e tristeza... Raiva porque a adrenalina estava alta e eu queria ele na bike sendo espremido pelo ônibus para ver como é... E tristeza por que aquele motorista não tem o menor preparo intelectual e social para fazer o trabalho dele. Na lógica dele, se eu fosse atropelado o problema seria meu... Aliás para a Justiça Brasileira seria isso também... Ele paga umas cestas básicas, limpa uns muros pixados e eu... me decomponho em um caixão.

Educação... Não precisamos nada tão urgente quanto educação...mais até do que saúde, por que com educação a maior parte dos problemas de saúde (acidentes e maus cuidados) são resolvidos.

Abrax.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Leia o último post do Blog do Max.

Link:

O Macaco, a coruja e os burros.

É, temos o nosso George Orwell, e ele é ciclista e adora triathlon.....

Ah, e não achem que ele está falando só de triathlon....

Abrax.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Reflexão e Refração

Calma, não é sobre prospecção de petróleo... Piadinha besta de geólogo.

Agradeço os comentário sobre o post Você precisa mesmo disto tudo? Vou dar continuidade às ideias por que um desabafo não é muito bem embasado, e acaba deixando muito nas entrelinhas.

Um primeiro assunto que vou refletir e refratar é: o que está se tornando o consumo.

Quando eu disse que nós não precisamos de tudo que nos cerca, e que mesmo tendo o direito de comprar o que quisermos acabamos apenas movendo uma engrenagem e não nos tornamos mais felizes, eu olhei para o modelo atual de consumo. No passado, não muito distante, a indústria existia para suprir necessidades da nossa vida... hoje ela existe para criar necessidades para nossa vida. A vida se tornou mais simples, muita coisa pronta, muita gente precisando de trabalho, então vamos criando coisas que não precisamos. Chama um serviço para trocar uma torneira, para limpar a casa, para regular a bike.. para tudo. E nós, fazemos o que? Nada, descansamos por que temos dinheiro....

Até aqui tudo bem, pois estamos falando do setor de serviços e é tudo justificável pela lei do mínimo esforço, mas e quando chegamos ao setor de produtos? Chega a ser vergonhoso... As empresas convencem as pessoas a comprar algo simplesmente por que eles dizem o que é a moda*. Isso vai contra a definição do que é moda... Por que as pessoas caem nesta estratégia? Frustração seria uma resposta.

As empresas aprenderam rápido a usar psicólogos para contratar funcionários e também para fazer as campanhas de marketing. "Qual é o perfil do público alvo?" Subentenda: Qual o problema do publico alvo?

Falei em frustração por que quanto mais dinheiro se tem, mais se gasta com coisas inúteis... o que as indústrias mais querem. Por que? Por que deve ser muito difícil ter grana e não ter tempo para gastar... Ou trabalhar demais para juntar e depois não poder mais gastar... Triste... frustrante. O que fazer? Se satisfazer com uma comprinha, afinal é a única maneira da pessoa se sentir poderosa, gastando uma fortuna em uma coisa desnecessária. Aliás gastar fortuna em coisa desnecessária é o símbolo da demonstração de poder de um frustrado, como disse o jogador do Santos, Zé "Love": "Seu salário é o gasto de ração do meu cachorro". Fim da rosca....

Por que eu digo tudo isso? Por que eu não vejo pessoas felizes na rua. Elas não se olham, elas não se cumprimentam, e se elas pudessem, atropelavam todos com seus carrões. Mas pera aí? Você não é "o cara" por que comprou "sua" Tucson??? Ou por que tem uma Trek Madonne para "girar" na USP? Gastar não te fez feliz?

Gastar, esbanjar, não faz ninguém feliz....E voltando ao assunto do começo, gastar sem medidas para satisfazer as frustrações da vida está criando uma indústria que percebe isso e que esta se incumbindo de criar novas necessidades para os frustrados. Um mundo ilusório, que agora diz o que queremos...Fim da rosca (2)...

Termino com uma velha frase, da qual me orgulho de ter compreendido antes dos 30 anos: Dinheiro não compra felicidade.

Abrax.

PS: Moda é o valor que surge com mais freqüência, não o que um estilista ou uma marca diz.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Soluções...

Mudando do desbafo do último post para uma proposta de solução para o esporte no Brasil. Esta está sendo realizada por um país pobre, minúsculo e oprimido* (politica e economicamente). Mas eles tiveram a lucidez de ver no esporte uma maneira de educar e dar saúde a sua população.

Faça o exercício de ler, mesmo que você seja "de direita", pois boas idéias devem ser de todos, e não de uma posição política.

Texto sobre o Esporte em Cuba, extraído do site da Embaixada de Cuba.

O Esporte como direito de todos é um dos lucros mais relevantes da Revolução cubana em matéria de direitos humanos.

Até o ano 1958, a atividade desportiva constituía uma prática seleta para aqueles que podiam pagar os clubes exclusivistas aos quais o povo não tinha acesso. Só umas 15 mil pessoas praticavam esportes sob os auspícios de entidades sociais desportivas. A atividade desportiva distava muito de contribuir ao desenvolvimento integral do povo.

Hoje o 30% da população cubana tem um nível ótimo de eficiência física, como resultado da extensão desta prática a todo o país. Neste sentido, um papel muito importante lhe correspondeu ao estabelecimento da Educação Física como matéria dentro do Sistema Nacional de Educação, do qual se beneficiam 300 000 estudantes que se encontram matriculados nas áreas desportivas escolares em 29 modalidades desportivas.

O ensino do esporte inclui ademais aos centros de Educação Especial, onde são atendidos 56 000 estudantes, para quem se aplicam programas de educação física específicos.

Em todo o país se despregou uma estratégia de desenvolvimento da cultura física e a saúde na comunidade com 270 Ginásios e Áreas Terapêuticas, que atendem aos estudantes que por problemas de saúde não se podem incorporar ao ensino curricular e para os quais existem 28 programas nos 169 municípios do país.

Como parte desta estratégia de desenvolvimento, atende ademais a nível comunitário os programas de promoção e prevenção de saúde, que incluem aos avôs, as gestantes, os lactentes, os grupos de Ginástica Aeróbia na Comunidade e a Ginástica Básica para a mulher.

Esta ampla cobertura de ensino desportivo tem como sustento fundamental a existência de 30 000 professores especializados em educação física. Falamos hoje de um professor por 348 habitantes, contra 1 por 10 mil existentes em 1959.

O Sistema de Ensino Desportivo

Como resultado desta projeção integral e coerente se criou o Sistema de Ensino Desportivo, em resposta à necessidade de garantir e atualizar o pessoal técnico requerido.

Este sistema conta com:

-Uma faculdade de Cultura Física em cada província, com uma matrícula de 11 000 estudantes
-Um Instituto de Cultura Física a nível nacional
-8 Escolas de Professores de Educação Física de nível médio com 13 333 estudantes
-Uma Escola Internacional de Educação Física e Desportiva com 875 estudantes de 62 países.
Nos últimos 10 anos, 11 000 colaboradores desportivos prestaram seus serviços em 97 países. Nas Olimpíadas de Sydney, por só citar um exemplo, participaram 36 treinadores cubanos com equipes de outros países.

Um 45% da população geral do país pratica esporte de forma sistemática e se calcula que outro 25 % o faz ocasionalmente, o qual se viu favorecido pela rede nacional de instalações desportivas, que supera as 11 000 instalações. Estas instalações oferecem seus serviços à população nos 169 Municípios do país, nos quais se praticam como meia 15 esportes.
Formação de Desportistas de Alto Rendimento

A participação em massa da população propiciou um importante desenvolvimento do esporte de alto rendimento e fez possível que na atualidade Cuba conte com 23 000 desportistas dessa categoria.

Um importante papel na formação dos desportistas de alto rendimento lhe correspondeu à criação de centros especializados na formação de atletas, entre os que se contam:

-17 Escolas de Iniciação Desportiva Escolar (EIDE), com uma matrícula de 12 047 estudantes
-14 Escolas Superiores de Aperfeiçoamento Atlético (ESPA), com uma matrícula de 7 400 estudantes
-87 Academias Desportivas Estaduais, com 4700 estudantes
-3 Centros de Alto Rendimento, que agrupam unidades de alto rendimento, e que têm uma matrícula aproximada de 2 200 estudantes.

A inclusão do profissionalismo aos jogos Olímpicos, compra-a de atletas, a rápida introdução de tecnologias com o conseqüente encarecimento do esporte, bem como a necessidade de pagamento de patrocinadores para poder participar em eventos desportivos de alto nível, mirou um duro golpe ao movimento desportivo internacional e com particular força aos países em desenvolvimento.

Cuba, no entanto, como resultado de sua política coerente nesta esfera, conseguiu ocupar um lugar de avançada a nível internacional, com uma atuação marcante em jogos olímpicos, continentais e regionais. Cabe destacar que desde 1966, mantém o primeiro lugar por países em Jogos Centro-americanos e na última década do milênio, manteve-se entre os 10 primeiros lugares a nível mundial nos Jogos Olímpicos, com 9 medalhas de ouro em Atlanta 96, e 11 em Sydney 2000.

Estes resultados localizaram a Cuba dentro dos 30 países que mais medalhas de ouro por habitantes obtiveram em Jogos Olímpicos em toda sua história.


PS: A população de Cuba é quase a mesma da CIDADE de São Paulo, cerca de 11 milhões de habitantes.

Abrax.

*A opressão sofrida por Cuba não se justifica. Os países do Norte da África e do Oriente Médio são muito mais autoritários que o regime cubano e mesmo assim recebem ajuda financeira dos EUA e em Cuba, os EUA não ajudam e ainda atrapalham, com os embargos comerciais. Resumindo: é tudo uma questão de interesse financeiro.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Você precisa mesmo disto? Triathlon e consumismo.

O papo pode parecer meio repetitivo, mas acredito que não podemos fazer de conta (se é que percebemos) que está tudo bem. Mas olhe bem a sua volta, você realmente (necessidade vital!!!) precisa de tudo que está vendo? Não sejamos irrealistas, lazer é parte da vida, pode incluir seu pc e sua bike... Agora, você precisa de um Pentium i5 para ler e-mails e postar no Facebook? Ou precisa de um carrão super potente (e poluidor) se o limite de velocidade é o mesmo que um mais simples atinge?? E ainda, você precisa de uma Specialized Shiv, com rodas Zipp e grupo Shimano DI se sua média horária é 34 km/h???????

É claro que se a pessoa tem dinheiro ela tem a liberdade de comprar o que quiser... Será???

Esse post é fruto de muita observação, que culminaram com minha visita a uma bikeshop, para trocar um raio de uma roda. Haviam mais de 50 bikes em manutenção, dessas, umas 40, eram dignas de Tour de France ou Ironman Hawai... mas não, são bikes que rodam na USP. Não existem tantos talentos aqui por perto....logo o que ví é apenas fruto de trabalho, de investimento, e por que não ostentação.

Bem, como perguntei no começo do post: Você precisa mesmo disto? Não, claro que não. Sabe por que? Por que boa parte do que consumimos é fruto de uma necessidade criada por outra pessoa, o dono da fabrica do produto em questão. Vamos ilustrar:

Nós precisamos de bikes de fibra de carbono??? Não!!! Não é por que um material novo, cheio de tecnologia aparece que ele é melhor que os existentes. E sabem por que??? A fibra de carbono é um Graal comercial! É bonito, resistente e descartável!!! Não permite concerto decente, a resina vai pro brejo em uns 5 anos (ela fica microfissurada e o quadro fica mole). E por que não temos bikes de aço?? Eles duram mais, são fáceis de serem concertados e são leves sim! (Tubos Reynolds 953 dão uma bike mais leve que de carbono). E esses predicados as indústrias não querem.

Com tudo é assim: celular, tv, carro,.... tudo descartável e empurrado para as pessoas. O marketing é tão bem feito, que hoje quem não pedala uma bike de carbono é um cara desatualizado, sem chances de melhorar. O mesmo acontece com os tênis de corrida... Meu, não precisamos de tênis para correr!!! Qualquer calçado macio e confortável serve (isso por que corremos sobre asfalto, um piso artificial).

E chega a ser indignante as estratégias de marketing..e elas funcionam! A Asics vende "o tenis mais rápido do mercado" e a Hyundai vende "o carro mais vendido no mercado mais exigente, os EUA". Isso é o fim da rosca!!! O tenis da Asics é mágico e o carro da Hyundai, que é coreana, faz a gente acreditar que os EUA são os melhores... Para meu! Nos EUA tem o monte de buraco e o calor do Brasil??? O tenis tá correndo por suas pernas??? Não para os dois casos.... Mas isso vende, e muito.

Falei, falei mas o que eu quero dizer com isso tudo?

Esse hábito de achar que precisamos (criamos necessidades que não são reais) e de consumir sem refletir está sendo o apogeu do capitalismo, mas vai ser o seu fim...e em breve. E o pior, vai acabar com o mundo também, por que para suprir essa sede temos que ferrar o planeta todo. Fui muito filosófico??? O preço das provas não para de subir e vão continuar enquanto VOCÊ consumir. Fui mais claro agora? Exemplo banal.....

E o pior é que trabalhamos cada vez mais para suprir estas necessidades que nem são nossas!!! Trabalhe para viver e não viva para trabalhar! Trabalhamos mais e achamos que fazemos isso por nós, por melhores salários...mas este salário maior é a maneira de deixar alguém mais rico, e com mais tempo para lazer, não você, que faz hora extra e não vê seu filho crescer.....Seu filho precisa de atenção e não de uma herança.

Por isso deixo a reflexão: Pare e pense. "Preciso mesmo de tudo isso?" "Vou usar tudo isso?" No mínimo você vai economizar dinheiro para usar em uma viagem, um livro, um jantar.... algo para você sentir, e não algo para ter.

O que mais me dói é ver o desespero das pessoas mais velhas que tentam fazer o que não fizeram quando eram mais jovens... o tempo passou, e com ele a juventude e a saúde.

A vida é muito curta e imprevisível para passarmos ela toda trabalhando....

Abrax.

PS: Uma rapidinha: Você recicla seu lixo? Todo, metódicamente? Se sim, que bom. Mas fique sabendo que se você trocar de carro 2 vezes em 10 anos, não adianta reciclar o seu lixo durante toda sua vida que o estrago que você fez na natureza será bem maior.....